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O Lápis


Quebra-se a ponta. O lápis silencia,

como quem pensa antes de prosseguir;

cada lasca que o tempo desafia

ensina um novo modo de existir.


Nas folhas vão os sonhos e os enganos,

as frases que o temor não permitiu;

os erros, companheiros soberanos,

que a mão escreveu, mas corrigiu.


Também repousam nele as ilusões,

mentiras que vesti de realidade,

castelos levantados de invenções,

desfeitos pelo peso da verdade.


Mas o lápis não teme o próprio fim;

aceita cada perda sem lamento.

Quanto mais breve o corpo de marfim,

mais profundo se torna o pensamento.


E quando a última linha for traçada,

e o grafite calar sua canção,

restará sobre a mesa abandonada

a madeira... e no papel, o coração.


✍️ Escrito por: Arthur Souto


📚 Autor de: Pé de Menina, O Tumbeiro (Prêmio Book Brasil e Pluma de Ouro), A Fada do PIX (Prêmio Ecos da Literatura), Minha Vida em Versos e Flores.


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Colunista:

Jornal Rol

Revista Adupé

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