Ainda…
- Arthur Souto

- há 1 dia
- 1 min de leitura

Ainda que te calasses
e a palavra te deixasse
como casa sem janela,
eu te leria
nos vãos.
Ainda que chegasses
sem versos,
trazendo só esse silêncio
bruto,
eu ouviria
o que nele pulsa.
Porque há vozes
que não pedem boca
vêm da pele,
dos gestos,
das pausas.
E se em ti
morassem as rachaduras,
eu não as chamaria feiura,
mas mapa
linhas sem legenda.
Eu te amaria
não apesar,
mas através.
Tocaria em ti
o que é falho.
E talvez,
sem perceber,
fosse nesse lugar
onde você nem sabia que havia porta
que eu ficaria.
✍️ Escrito por: Arthur Souto
📚 Autor de: Pé de Menina, O Tumbeiro (Prêmio Book Brasil e Pluma de Ouro), A Fada do PIX (Prêmio Ecos da Literatura), Minha Vida em Versos e Flores e Tonha a Barraqueira.
📸 Instagram: @mundo_encantado_dos_livros
🔗 Blog: mundoencantadodoslivros.blog
Colunista:
Jornal Rol
Revista Adupé




Comentários